terça-feira, 7 de abril de 2026

A palheta que Dona Helena me presenteou

Eu tenho de lembrança da Dama da Viola, a sul-mato-grossense Helena Meirelles, além da sua cativante aura, duas preciosas peças materiais que já estão indo para o campo da relíquia, a saber, fragmento do ingresso para seu show em Salvador, dia 24 de julho de 1995, no Teatro Castro Alves, ao qual assisti, e uma de suas famosas e icônicas palhetas, que me foi presenteada pela violeira, em 1998, após apresentação no Pelourinho.

Eu estive com Dona Helena neste seu show no Pelourinho, quando a entrevistei para o jornal A Tarde, em companhia do divulgador da Gravadora Eldorado em Salvador. Foi ele quem me trouxe, meses depois, a palheta (que a violeira me prometera), e foi ele, também, quem agendou uma segunda entrevista, pelo telefone, em março de 1999, para a revista Neon. Na ocasião, eu a agradeci pelo presente, que guardo com carinho e certa devoção, afinal, sou violeiro!

Dona Helena contou no documentário Helena Meirelles – a dama da viola, 2004, que, influenciada por violeiros paraguaios, ela fazia suas próprias palhetas, com farpas de chifre de boi, e sempre numa Sexta-feira Santa, sob um manto de sincretismo.

“(...) fazia toda Sexta-feira da Paixão… antes do sol nascer, debaixo da figueira, então eu peguei esse costume… toda a vida fiz minha palheta… eles que falavam e eu aprendi com eles, eu nunca vi o capeta…, mas isso foi invenção do capeta.”

Em novembro de 1993, Helena Meirelles teve sua palheta incluída entre as 100 mais da revista estadunidense Guitar Player, juntando-se roqueiros, jazzistas e bluesmen como Eric Clapton, George Benson, Keith Richards, na condição de único instrumentista brasileiro dessa condecoração. No ano seguinte, 1994, a gravadora Eldorado lançou seu primeiro disco. 

A palheta que tenho foi feita pela própria Dona Helena, e que “não vendo, nem troco”, para repetir o grande Luiz Gonzaga e seu filho Gonzaguinha em diálogo, numa canção de autoria dos dois, no  LP Gonzagão & Gonzaguinha juntos (RCA, 1991).

Helena Meirelles nasceu em Campo Grande, capital do atual Mato Grosso do Sul, a 13 de agosto de 1924, e faleceu a 28 de setembro de 2005. Ela viveu 81 anos, dos quais, mais de uma década como a “grande dama da viola”. 

Na foto 1, a palheta que me foi dada pela violeira sobre as cordas de uma viola fabricada pelo luthier Marco Evangelista, de Aparecida de Goiânia (GO). Na foto 2, fragmento de um ingresso do primeiro show de Dona Helena em Salvador.

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