Eu tenho de lembrança da Dama da Viola, a sul-mato-grossense
Helena Meirelles, além da sua cativante aura, duas preciosas peças materiais
que já estão indo para o campo da relíquia, a saber, fragmento do ingresso para
seu show em Salvador, dia 24 de julho de 1995, no Teatro Castro Alves, ao qual
assisti, e uma de suas famosas e icônicas palhetas, que me foi presenteada pela
violeira, em 1998, após apresentação no Pelourinho.
Eu estive com Dona Helena neste seu show no Pelourinho, quando
a entrevistei para o jornal A Tarde, em companhia do divulgador da
Gravadora Eldorado em Salvador. Foi ele quem me trouxe, meses depois, a palheta
(que a violeira me prometera), e foi ele, também, quem agendou uma segunda
entrevista, pelo telefone, em março de 1999, para a revista Neon. Na
ocasião, eu a agradeci pelo presente, que guardo com carinho e certa devoção,
afinal, sou violeiro!
Dona Helena contou no documentário Helena Meirelles
– a dama da viola, 2004, que, influenciada por violeiros paraguaios, ela
fazia suas próprias palhetas, com farpas de chifre de boi, e sempre numa
Sexta-feira Santa, sob um manto de sincretismo.
“(...) fazia toda Sexta-feira da Paixão… antes do sol
nascer, debaixo da figueira, então eu peguei esse costume… toda a vida fiz
minha palheta… eles que falavam e eu aprendi com eles, eu nunca vi o capeta…, mas
isso foi invenção do capeta.”
Em novembro de 1993, Helena Meirelles teve sua palheta
incluída entre as 100 mais da revista estadunidense Guitar Player,
juntando-se roqueiros, jazzistas e bluesmen como Eric Clapton, George Benson,
Keith Richards, na condição de único instrumentista brasileiro dessa
condecoração. No ano seguinte, 1994, a gravadora Eldorado lançou seu primeiro
disco.
Helena Meirelles nasceu em Campo Grande, capital do atual Mato Grosso do Sul, a 13 de agosto de 1924, e faleceu a 28 de setembro de 2005. Ela viveu 81 anos, dos quais, mais de uma década como a “grande dama da viola”.
Na foto 1, a palheta que me foi dada pela violeira sobre as cordas de uma viola fabricada pelo luthier Marco Evangelista, de Aparecida de Goiânia (GO). Na foto 2, fragmento de um ingresso do primeiro show de Dona Helena em Salvador.

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